sábado, 4 de abril de 2026

Março de arte e território: Grupo de Teatro Mistura realiza circulação em comunidades de Muquém do São Francisco e Ibotirama

O mês de março foi marcado por uma intensa agenda de ações culturais do Grupo de Teatro Mistura, de Ibotirama, reafirmando seu compromisso com a democratização do acesso à arte e a valorização das culturas ribeirinhas e da infância. Ao longo do mês, o grupo realizou três importantes apresentações, integrando iniciativas voltadas à formação cultural, memória e identidade através do teatro como protagonista.

Em celebração ao mês do teatro e do circo, foram realizadas duas apresentações do espetáculo de teatro de bonecos “As Pelejas de Zezim Siriema e Baltazar na Feira”, ação promovida pelo Pontão de Cultura Tarrafa Cultural — iniciativa da COOPASTEC em parceria com a FUNDIFRAN, com articulação da Coordenação de Cultura de Muquém do São Francisco.

No dia 18 de março de 2026, a atividade aconteceu na Comunidade Quilombola Boa Vista do Pixaim, com apoio da equipe escolar do Colégio Municipal Aulino Guimarães. Já no dia 25 de março, a ação foi realizada na Comunidade Ribeirinha Riacho de Serra Branca, reunindo crianças, educadores e moradores em momentos de partilha artística, cenas do espetáculo que possui narrativas poéticas conduzidas por Vânia Nogueira, Gilberto Morais e Diego Quinteiro. O espetáculo encantou o público e reforçou a importância da arte na valorização das culturas da infância e dos territórios tradicionais.

Encerrando a programação do mês, no dia 26 de março de 2026, o Grupo de Teatro Mistura apresentou o espetáculo “Carranca – Da Proa do Barco para o Palco”, integrando as ações do Projeto C@rranqui@ndo, idealizado pelo artesão e carranqueiro Neilson Pinta Silva. A atividade foi realizada em Ibotirama, no Núcleo de Audiovisual Reginaldo Pereira, com público mediado formado por estudantes do Colégio CETEP Velho Chico.

A apresentação integrou o lançamento da Revista C@rranqui@ndo, marcando o encerramento das ações do projeto, que teve como foco a valorização da cultura da carranca e dos artistas carranqueiros do Território Velho Chico. Ao longo de sua execução, o projeto promoveu palestras, exposições, demonstrações da confecção de carrancas e ações formativas em escolas, além de incentivar a produção textual de estudantes sobre o tema, resultando em publicação.

A presença do espetáculo Carranca nesse contexto reforça o diálogo entre arte cênica e patrimônio cultural, ampliando o entendimento da carranca como símbolo de identidade, proteção e memória do povo ribeirinho.

Ações desenvolvidas ao longo do mês de março evidenciam a potência do trabalho em rede, da mediação cultural e do teatro como ferramenta de formação de público, fortalecimento da educação e valorização das culturas tradicionais.

Realização (ações com teatro infantil): Pontão de Cultura Tarrafa Cultural & Coordenação de Cultura de Muquém do São Francisco

Atração: Grupo de Teatro Mistura

Projeto C@rranqui@ndo: idealização e coordenação de Neilson Pinta Silva

O projeto Tarrafa Cultural é uma iniciativa da COOPASTEC, em parceria com a FUNDIFRAN.

Apoio Financeiro: As ações foram contempladas pelos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia (PNAB), com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado, via Ministério da Cultura – Governo Federal. O Projeto C@rranqui@ndo também foi selecionado no Edital Lia da Silveira PNAB – Edital nº 05/2024.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Hulle Horranna, Diz: No teatro, nem sempre a gente senta na plateia, por vezes a gente embarca, e é exatamente essa a travessia proposta por “Carranca, da proa do barco ao palco”, do Grupo de Teatro Mistura.

Cine Teatro Casa Anísio Teixeira - 2025 - Caetité 

Com 10 anos em circulação a obra interpretada por Gilberto Morais não é apenas uma encenação, é uma obra de arte que como a própria carranca que representa, foi aos poucos sendo esculpida e ganhando forma enquanto bebia das águas e das oralidades ribeirinhas por onde passou. Não à toa, recentemente recebeu o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, do IPHAN, que para além de algo pra se colocar em uma estante, é um reconhecimento irretocável de que nosso patrimônio não é estático, e de que para além da imagem, ele tem significado.

A montagem brinca com a quebra da quarta parede, mas faz algo ainda mais profundo, derruba as nossas paredes internas, nossos conceitos frágeis e nossas visões simplistas sobre o tema abordado, mas ele faz isso com afeto, como um amigo que te convida a sentar no banco a beira do rio, com uma dose de cachaça e um convite para dialogar, porque embora o ator se apresente sozinho como em um monólogo, o que ele propõe em cena é um diálogo, o publico faz parte da peça tanto quanto o ator e suas carrancas. O cenário é de uma simplicidade cortante, emoldurado por duas carrancas que nos observam e vigiam o tempo todo, no centro, o mínimo necessário: uma mesinha e um banco que sustentam tudo o que é necessário e apenas isso, e é com pouco que o universo imenso do São Francisco vaza para dentro do teatro e de nós, já nos provocando de cara sobre o que é essencial.

Quando Gilberto assume a figura do velho ribeirinho, o corpo muda o eixo, a máscara serve não como maquiagem para cobrir, mas como expressão para revelar, somos fisgados por uma teatralidade física memorável, a bengala sustenta mais que um corpo, ali ela sustenta também uma história, a voz modula as palavras com rimas potentes que, feito correnteza, parecem mansas, mas sempre encontram um jeito de cutucar algo profundo.

A cachaça partilhada e o flerte com a venda das carrancas não são meros truques de interação que servem apenas à encenação; são rituais de comunhão, reflexos profundos de um estilo de vida e de uma cultura. Há uma semiótica sensível e bem dosada nessa dose oferecida, não é uma bebida para embriagar, mas para molhar a palavra, para degustar o momento, a fim de que a memória dessa tradição oral não seque na garganta, sem esquecer que essa água é também ardente e carrega a simbologia também dessa dualidade, desce rasgando o peito, como o próprio texto da peça, com suas palavras cortantes, sobre a exploração, o desmatamento e a secura dos rios, depois aquece o peito como o afeto e a teimosia desse povo nordestino, quando você aceita, você aceita também uma dose da vida ribeirinha.

Esse gole partilhado funciona quase como uma oferenda, então somos convidados a olhar para essas vivências com os olhos de dentro, as carrancas oferecidas e anunciadas são uma recusa a morte dessa tradição, não apenas simbolicamente, o ator leva consigo carrancas de artesãos para serem vendidas, ou repassa o contato dos artesãos para encomendas, fomentando a economia de forma ativa.

Ao vivo, Vania Nogueira e Cléber Eduão fazem a trilha sonora que dita o compasso das águas, é ritualística e visceral, o ator nos provoca a formar um coro que evoca o que virá logo a seguir: “carranca, carranca!”.

Próximo do fim, o ator maquia seu rosto com as próprias mãos, mas não maqueia as durezas da exploração e do esquecimento, ele não apenas narra o mito, ele precisa se agigantar para evocar a própria entidade, agora ele é carranca, e lá do alto ele diz “não” a tudo aquilo que seca e consome o rio, o ribeirinho, o nordestino, ele diz não ao esquecimento, a carranca renasce e reafirma sua reXistência.

Com olhos arregalados e dentes a mostra o espetáculo atinge o seu ponto alto, e nos faz sentir essa expressão em nossos próprios corpos. Sem mais detalhes, apenas vivendo a experiência é possível compreender a dimensão que o espetáculo ocupa.

Link do Texto https://cepac.art/teatro/peca-de-teatro-carranca-da-proa-do-barco-ao-palco-ganha-premio-do-iphan/

Parabéns ao Grupo de Teatro Mistura em nome de Gilberto Morais, você é gigante.

HULLE HORRANNA

Nascida em Jacobina, também conhecida como cidade do ouro, na Chapada Diamantina, Bahia, desde pequena observava o mundo com lentes incomuns e criativas, de modo que a fez perceber o brilho, não no ouro, não nos diamantes, mas na arte que lhe inspirou em diversos segmentos no decorrer do seu aprendizado, contribuindo paraa construção de uma personalidade sensível e extremamente crítica.Residindo em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, desde 2010, participou da antologia Fragmentos com 10 poemas de sua autoria. Atriz, escritora e ilustradora por ocasião, atualmente escreve para a CEPAC, Companhia de Experimentação e Pesquisa em Arte & Cultura – companhia responsável pela montagem das peças que compõem esta coletânea – e pretende lançar um livro de poemas em breve, mas, enquanto isso, dispara suas letras junto a um amontoado de sentimentos em sua página no Facebook, chamada Zona de Conforto.

 

 



Danilo Lima Diz "Mover Mistérios dos Rios às Terras" sobre espetáculo de teatro "CARRANCA – Da Proa do Barco ao Palco"

Foto: Pâmela Paranhos - Cine Teatro da Casa Anísio Teixeira - Caetité - 2025

Crítica escrita 2024 por Danilo Lima, para o espetáculo CARRANCA – Da proa do barco para o palco.

A obra é dialógica desde seu iníciar, ao convocar os públicos para repetir os versos ditos pelo personagem, e nesse falar, já escutamos um dos frutos bastante presente na culinária geraizeira, que é o pequi. Como também, um dos principais motes de sua dramaturgia, que é referenciar carranqueiros, como Mestre Guarany, pioneiro nesta arte de talhar. O local, ou seja, a singularidade de onde o ator vem e suas referências,  está como a experiência a ser encenada. O espetáculo... vai começar!


A obra nos questiona sobre onde estar o mistério do rio são Francisco, e com o espetáculo, em sua atmosfera cênica entre acordes de violão e uma iluminação de ribalta, criando sombras, estas que povoam o palco, nos faz imergir na história a ser representada. A poética da obra assume em sua composição visual, totens de carrancas no e pelo palco, onde a linguagem das artes plásticas é uma das características de sua composição cênica.


Escutamos sobre reminiscências deste vendedor, relatos e relatos de suas memórias de infância, e já que o corpo é uma “pirraça”, é nos dito que esta criança por reconhecer sua condição social de vulnerabilidade econômica, vendia escondido de seu pai, carrancas que o mesmo produzia. Aqui reconhecemos a sabedoria que é passada de geração a geração.


Refletimos como o espetáculo CARRANCA, criado em 2017, e que tem realizado sua navegação por terreiros, palcos e praças na Bahia, colabora com o aprofundamento local sobre a importância do ser carranca e esta artesania, e como essa história foi construída e por quem tem sido contada, tendo como ponto de partida conhecer esse território que a obra foi concebida. Território do Velho Chico, o que te lembra?


O termo Velho Chico é suficiente para compreender os conflitos desse território, ou é a porta de entrada para reconhecer as conquistas, resistências e criatividade de toda uma comunidade tradicional que compõem sua população.


A corporeidade do ator, Gilberto Morais, que nos apresenta uma transição de vendedor, nomeado Zé das Carrancas, para ser uma representação de carranca, com expressividade facial e sonoridades vocais que simbolizam o som de uma carranca, pode também corporalizar qualidades de movimentos inspirados no mover do rio, sinuoses que potencializarão sua expressão corporal em cena, e assim, a máscara facial do ator, com a maquiagem de carranca, não estará unicamente responsável pela comunicação da figura representada.


A simbologia das carrancas possui no imaginário popular a proteção das barcas contra naufrágios e assombrações marítimas, com sua expressão de assombro, espantaria maus espíritos desse inconsciente dos ribeirinhos. Mas também, ela nos reforça a necessidade de se encorajar, para enfrentar as adversidades que se movem seja na terra ou nas águas doce de nossa Bacia. E somos convocados a refletir sobre as lutas sociais e ambientais que emergem nos interiores do cerrado, seja pelos massacres que povos indígenas sofreram em nosso território, seja pelos agrotóxicos jogados em nossas águas, pela escravização da comunidade negra que aqui se estabeleceram; é um espetáculo teatral que nos convoca a ter conhecimento sobre uma outra história deste território, a partir da vivência de um ribeirinho artista, nos alertando que a história única de que o progresso que subiu os rios pelos vapores e as desmatações ocorridas aqui, fazem parte de um perigo no equilíbrio do mistério entre natureza e vidas humanas, e que só interessa um grupo específico de produtores que observam esses recursos naturais como recurso financeiro.


O desenvolvimento da obra, em sua encenação, muito sensivelmente musicalizada, inspira seus públicos a irem como o curso de um rio (você é um rio), ao encontro das lutas sociais, movendo aos encontros de outras águas, matas e como enchentes, conterem as ações que impedem o curso livre de seus rios (o seu curso livre).

VÁ, VÁ SER CARRANCA, VÁ!

DANILO LIMA

É ator, curador e crítico teatral. Nasceu e vive em Barreiras (BA/1992), Agente Territorial de Cultura pelo MinC (Ministério da Cultura) e professor da Escola Municipal de Teatro da Prefeitura de Barreiras – BA. É Especialista em Estudos Contemporâneos em Dança e Bacharel em Artes Cênicas pela Escola de Teatro, ambas formações pela UFBA. Editor e crítico teatral no site Do Hiato Litígio. Possui formação em Mediação Cultural Contemporânea (Escola Itaú Cultural SP) e de Jornalismo Cultural e Crítica de Artes no Brasil (Centro de Pesquisa e Formação do SESC SP). Foi gestor, curador e produtor cultural do projeto Abril O corpo e o que ele pode manifestar? (Teatro Gamboa Nova/2018). É curador no FESTAC – Festival Estudantil de Artes Cênicas (BA). Foi indicado ao prêmio Braskem de Teatro (2017) na Categoria Especial pela preparação corporal do espetáculo “Maçã – Um acontecimento cênico”. Investiga procedimentos corporais para a cena multimídia e aproxima esses procedimentos às práticas da mediação, crítica e historiografia teatral, como forma de gerar suas próprias metodologias artísticas para a atuação, ensino e direção cênica.

sábado, 7 de março de 2026

GRUPO DE TEATRO MISTURA CONQUISTA RECONHECIMENTO NACIONAL COM PRÊMIO DO IPHAN

O trabalho desenvolvido às margens do Rio São Francisco levou o Grupo de Teatro Mistura, da cidade de Ibotirama, no oeste da Bahia, a conquistar projeção nacional. A companhia foi uma das vencedoras da 38ª edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), uma das mais importantes premiações voltadas à preservação do patrimônio cultural brasileiro.

A cerimônia de entrega do prêmio foi realizada na noite de terça-feira (3), em Brasília, reunindo iniciativas de todo o país que se destacam pela originalidade, relevância e caráter exemplar na salvaguarda da cultura brasileira. Nesta edição, o prêmio registrou número recorde de inscrições: 876 projetos de todos os estados brasileiros concorreram ao reconhecimento. Ao todo, 18 iniciativas foram premiadas, com projetos de 12 estados contemplados. A Bahia foi o estado com maior número de premiações, com três iniciativas reconhecidas. Acesse aqui e Assista https://www.youtube.com/watch?v=znD7Drdax4M&t=1972s

Colônia de Pescadores de Ibotirama - Entrega de peças de artesanato em madeira "Carrancas" para Donos de Embarcações

O Grupo de Teatro Mistura foi premiado pelo projeto “Repovoando as Carrancas nas Margens do São Francisco”, realizado entre 2022 e 2025, contemplado nos Editais da Paulo Gustavo Bahia e tem Apoio Financeiro do Governo do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura via Lei Paulo Gustavo, direcionada pelo Ministério da Cultura, Governo Federal. Paulo Gustavo Bahia (PGBA). . A iniciativa percorreu comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas levando arte, memória e patrimônio cultural por meio de apresentações do espetáculo “Carranca – da proa do barco para o palco”, além de palestras, exposições de carrancas e a doação de esculturas em madeira para proprietários de embarcações tradicionais do Velho Chico. Acesse site do projeto aqui!

Apresentação espetáculo "Carranca - Da Proa do Barco para o Palco", dia 04/03 Beijódromo Brasília 
programação do 1º Fórum Sistema Nacional de Patrimônio Cultural  

A premiação também marca um momento simbólico para o grupo. Em 2026, o espetáculo “Carranca – da proa do barco para o palco” completa dez anos de circulação, consolidando-se como uma das obras mais representativas do teatro produzido no interior da Bahia e reforçando o diálogo entre arte, tradição e território.

Para o diretor do grupo e idealizador do projeto, Gilberto Morais, o reconhecimento nacional confirma a força de um teatro que nasce do encontro com a cultura popular e com as histórias do próprio lugar.

“Receber um prêmio dessa dimensão é uma emoção profunda para todos nós. O nosso teatro nasce às margens do São Francisco, escutando as histórias do povo ribeirinho, olhando para a cultura, para a raiz e para o patrimônio como caminhos de criação. Ver esse trabalho alcançar novos espaços e ganhar reconhecimento nacional é a prova de que a arte feita no interior também tem potência para dialogar com o Brasil inteiro”, afirmou.

Ainda segundo o diretor, o prêmio chega como um marco simbólico na trajetória do grupo. “É muito significativo que esse reconhecimento aconteça justamente no momento em que o espetáculo Carranca completa dez anos de circulação. É uma celebração do caminho percorrido e, ao mesmo tempo, um incentivo para continuar repovoando de memória, arte e identidade as margens do nosso rio.”

Reconhecido pela criação de projetos culturais de forte impacto social e patrimonial, o Grupo de Teatro Mistura vem se consolidando como uma das referências na construção de ações que articulam arte, território e memória no interior da Bahia, levando o teatro para comunidades, rios, praças e novos palcos pelo país.

 TEXTO: Jornalista Ananias Serranegra 

domingo, 28 de dezembro de 2025

Retrospectiva 2025 de Circulação do Espetáculo Carranca – Da Proa do Barco para o Palco

Foto: Pâmela Paranhos / Cine Teatro: Casa Anísio Teixeira / Cidade: Caetité 
11º Mostra de Teatro do Velho Chico 

O espetáculo “Carranca – Da Proa do Barco para o Palco”, criação do Grupo de Teatro Mistura, construiu ao longo do ano uma trajetória expressiva de circulação por diferentes cidades e territórios da Bahia, integrando festivais, programações culturais, eventos literários, ações formativas, iniciativas ambientais e encontros acadêmicos. A obra nasce do diálogo com o imaginário ribeirinho do Rio São Francisco, tendo como eixo simbólico as carrancas — figuras de proteção, memória e identidade —, e reafirma o teatro como ferramenta de preservação do patrimônio cultural imaterial e de fortalecimento das culturas do interior.

Ao todo, o espetáculo realizou 10 apresentações em 10 cidades baianas, alcançando aproximadamente 2.000 pessoas de público direto, percorrendo 7 Territórios de Identidade da Bahia. Essa circulação reafirma o compromisso do grupo com a democratização do acesso à arte, a formação de público e a interiorização das ações culturais.

No mês de abril, o espetáculo integrou a Programação do Cine Teatro da Casa Anísio Teixeira, em Caetité, com realização da própria instituição, aproximando o público do teatro ribeirinho e da dramaturgia de base popular em um espaço dedicado à memória, educação e difusão cultural.

Em maio, participou da 1ª Festa Literária da Bacia do Rio Corrente – ECOAR ENTRE AS MARGENS, realizada pelo Coletivo Balaio, na cidade de Santa Maria da Vitória, ampliando o diálogo entre teatro, literatura, oralidade e tradição. Ainda no mesmo mês, integrou a programação da Festa Literária Internacional de Barreiras – FLIB, com realização da Secretaria Municipal de Cultura de Barreiras, fortalecendo sua presença em eventos de grande alcance cultural no Oeste baiano.

Foto: Rodrigo Alves / Semana do Meio Ambiente de Ibotirama / Teatro Aliomar Pereira 

No mês de junho, o espetáculo esteve presente na Semana do Meio Ambiente de Ibotirama, realizada pela EMBASA em parceria com a Prefeitura Municipal de Ibotirama, evidenciando o compromisso da obra com pautas ambientais, sustentabilidade cultural e educação patrimonial. Também em junho, integrou a FLILAPA – Festival Literário de Bom Jesus da Lapa, com realização da FUNDASF, reafirmando sua conexão com o território simbólico do Velho Chico e com ações de formação de público.

Em setembro, “Carranca – Da Proa do Barco para o Palco” integrou o Projeto Bota Dedê Nesse Circo, realizado pela Trupe Rãs, na cidade de Vera Cruz, fortalecendo o intercâmbio artístico com o circo e o teatro popular. Ainda em setembro, participou do Carnaúba Cultura – Encontro de Culturas e Saberes, realizado pela UFOB – Universidade Federal do Oeste da Bahia (Campus de Barra), na cidade de Barra. No mesmo mês, o espetáculo integrou a programação da 11ª Mostra de Teatro do Velho Chico, realizada pela Rede de Teatro do Velho Chico, na cidade de Caetité, reafirmando o protagonismo das redes colaborativas na difusão do teatro no interior da Bahia.

No mês de outubro, o espetáculo retornou a Caetité, integrando o Festival da Literatura e Arte de Caetité, com realização da Casa Anísio Teixeira, fortalecendo a continuidade da parceria institucional e a presença do espetáculo no circuito cultural do interior.

Em novembro, o espetáculo integrou a programação do Teatro Sesc de Santo Antônio de Jesus, com realização do Sesc Santo Antônio de Jesus, ampliando sua circulação para o Recôncavo Baiano e alcançando novos públicos em um equipamento cultural de referência estadual.

Impacto Cultural, Territorial e Econômico

A trajetória de circulação de “Carranca – Da Proa do Barco para o Palco” demonstra o papel do teatro como agente de transformação cultural e econômica no interior da Bahia. A sustentabilidade do grupo se constrói a partir de uma economia da cultura baseada em parcerias, envolvendo instituições públicas, privadas e do terceiro setor, além de produtores culturais, redes colaborativas e equipamentos culturais que convidam, contratam e integram o espetáculo às suas programações.

Essas ações possibilitaram a manutenção ativa do grupo, a geração de renda para artistas, técnicos e produtores, e o fortalecimento da cadeia produtiva do teatro em territórios historicamente afastados dos grandes centros. Ao circular por 10 cidades e 7 territórios de identidade, o espetáculo contribuiu para a movimentação econômica local, a valorização dos fazedores de cultura e a consolidação do teatro como trabalho, economia criativa e política pública no interior do estado.

Reconhecimento Institucional

Ainda no mês de novembro, o Grupo de Teatro Mistura recebeu o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, concedido pelo IPHAN, por meio de edital de premiação, como reconhecimento nacional pela realização do projeto “Repovoando as Carrancas nas Margens do Rio São Francisco”. A premiação destaca a relevância cultural, simbólica e social da iniciativa, que articula teatro, artesanato, memória ribeirinha e formação cultural, reafirmando o compromisso do grupo com a salvaguarda do patrimônio cultural brasileiro e com a valorização dos saberes do Velho Chico.

Ao longo dessa trajetória, “Carranca – Da Proa do Barco para o Palco” consolida-se como um espetáculo de forte impacto simbólico, social, territorial e econômico, reafirmando o compromisso do Grupo de Teatro Mistura com um teatro ribeirinho, popular, sustentável e de resistência cultural no estado da Bahia.

terça-feira, 26 de agosto de 2025

11ª Mostra de Teatro do Velho Chico movimenta cena teatral baiana em setembro

 

A cidade de Caetité será o ponto de encontro do teatro  produzido no interior da Bahia e em outras regiões do país durante a 11ª Mostra de Teatro do Velho Chico, que acontece de 15 a 28 de setembro. Realizado pela Rede de Teatro do Velho Chico, o evento reúne 20 espetáculos gratuitos, abertos a todos os públicos, e amplia sua atuação com ações formativas, debates e intercâmbio.

A programação de apresentações se divide em três eixos: O Riso e a Criança, com montagens voltadas ao público infantil; Protagonismo Feminino, reunindo produções criadas, encenadas ou inspiradas no universo das mulheres; e Corpo em Cena, voltado a um público adulto, com propostas e experimentações cênicas variadas.

Os grupos vêm de diferentes regiões da Bahia: Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, São Desidério, Ibotirama, Seabra,
Macaúbas, Irecê, Vitória da Conquista, Ilhéus, Salvador e Poções; além de cidades de outros estados, como Conde (PB) e Açu (RN). A Casa Anísio Teixeira, anfitriã da Mostra pelo segundo ano, sedia as apresentações e recebe artistas, técnicos, críticos e pesquisadores da cena teatral.

Além dos espetáculos, a Mostra oferece um conjunto de ações formativas para a qualificação técnica de profissionais da área. Entre elas estão oficinas de maquiagem artística, com Vânia Nogueira; música, teatro e identidade negra (Musicenafro), com João Vitor Soares; leitura dramática a partir do texto Circo Caraminholas do Sul e o Mistério do livro secreto com Tally Gaia; Interpretação com Gordo Neto; Construção de adereços e figurinos com Shicó do Mamulengo; Tipos de rede com Gilberto Morais; Jogos teatrais para a infância com Tally Gaia; e palestras para estudantes da rede pública sobre a preservação do rio São Francisco.

A programação inclui ainda o 3º Colóquio de Mostras e Festivais de Teatro da Bahia, que reúne representantes de iniciativas como o Festival Internacional Teatro da Caatinga, Festival Petiz, Festival Teatral Maré de Março, Coletivo Art Drag do Sul da Bahia, Festival Rédeas do Teatro e Festival Palco do Asfalto. 

Este projeto é uma Realização: Rede de Teatro do Velho Chico e Mistura Produções APOIO CULTURAL: Casa Anísio Teixeira, Trupe dos Dobradores de Arte, Prefeitura Municipal de Caetité e Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer de Caetité. O projeto tem APOIO FINANCEIRO do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia, através do Edital n° 73/2024 - Eventos Calendarizados.


quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Projeto Repovoando Às Carrancas nas Margens do Rio Francisco Em Circulação Promove A Cultura Indenitária Ribeirinha


O projeto Repovoando Às Carrancas nas Margens do Rio Francisco, do Grupo de Teatro Mistura, iniciou sua circulação realizado diversas atividades de difusão nas cidades de Ibotirama, Muquem do São Francisco e Paratinga no território Velho Chico, com Exposições de Carrancas, Palestras sobre o Simbolismo do Povo Ribeirinho e apresentação de espetáculo de teatro "Carranca - Da Proa do Barco para o Palco", toda essa imersão na cultura indenitária do povo ribeirinho começou no dia 17 de outubro, às 19:30, na Escolar Municipal Adolfo Gomes Pereira na comunidade Ribeirinha de Passagem em Muquem do São Francisco, teve a presença de um público de 50 estudantes e pessoas da comunidade. 

No dia 18 de outubro, às 15h, o Centro Cultural Centro do Saber, a cidade de Paratinga foi Palco que recebeu as atividades do projeto, a equipe de produção preparou um espaço no foyer para recepcionar mais de 100 estudantes com a Exposição das Carrancas de quatro artesãos/Carranqueiros do Território Velho Chico Leobino Pereira, Kajju Pintos, Jorge Soares e Neilson Pinta Silva. Os jovens participaram de forma direta da palestra Simbolismo do Povo Ribeirinho que foi ministrado pelo agente de cultura, poeta e cantador Cléber Eduão, e pra fechar a programação eles assistiram ao espetáculo de teatro de rua Carranca Da Proa do Barco para o Palco.

Na segunda semana de circulação de atividades do projeto que se iniciou no dia 25 de outubro, às 19:30, em parceria com o a  Fundação de Desenvolvimento Integrado do Rio São Francisco - FUNDIFRAN chegamos ao quintal da Casa de Cícero, líder comunitário que reuniu mais de 30 pessoas da comunidade Quilombola dos Tixinhas em Ibotirama para assistir o espetáculo Carranca Da Proa do Barco para o Palco, contemplar a Exposição de Carrancas e demais atividades do projeto. O nosso teatro vai a onde o povo estar!!!!
E para fechar a circulação de atividades do projeto, no mês de dezembro, no dia 12 às 9h, na Colônia de Pescadores de Ibotirama o grupo de Teatro Mistura promoveu mais um espaço de fortalecimento da cultura indenitária ribeirinha, através do teatro e das artes visuais, essas duas linguagens que andam juntas nas ações do espetáculo Carranca... que desde 2016 vem desenvolvendo ações para aumento desse fazer artístico ribeirinho. Tivemos o prazer e a honra de ter importantes parceiros como os representantes da Colônia de Pescadores de Ibotirama o Srº Filu dos Santos e Aline Andrade que mobilizaram pescadores/donos de embarcações para participarem de forma direta visitando a Exposição, assistindo a peça de Teatro e a um breve bate-papo sobre a história dos carranqueiros e a carranca com os Carranqueiros/artesão Neilson Pinta Silva, Leobino Pereira e Kajju Pintor. Foram doadas 40 unidades de Carrancas em madeira, peças de artesanato para os pescadores donos de embarcações como barcos e lanchas, para serem instaladas nas proas dos seus barcos, o projeto devolve a figura de proa “carranca” para seu lugar de origem, o Barco e Rio!
Parabenizamos toda equipe de produção (Danilo Banga - Coordenador Geral, Vania Nogueira - Produtora Local, Crisna Imhof - Assistente de Produção, Joyce Fárias - Desing e Assessora de Comunicação, Cléber Eduão Palestrante e Músico, Gilberto Morais - Ator e Produtor Geral) pelo excelentíssimo trabalho realizado durante os meses de outubro a dezembro. Agradecemos imensamente aos nossos importantes parceiros que contribuíram de forma direta e indireta para o sucesso das atividades do projeto em Paratinga Jorge Serra, João Pereira, Quintino, Juliana às diretoras/professoras Dicilene e Joelma das unidades escolares do município. Em Muquem do São Francisco nosso muito obrigado Géssica Santos e Maria da Soledade. Em Ibotirama nós só temos agradecer Mateus Besssa, Jurandyr Myranda, Márcia Nascimento e Marcos Fé. 
Fotografias: Marcelo Shinoba, Joyce Fárias, Jurandyr Myranda, Priscila Santos 

A ação faz parte do Projeto Repovoando As Carrancas: Nas Margens do Rio São Francisco.

Realização: Grupo de Teatro Mistura.
Proponente e Coordenador do projeto Danilo Dias Barbosa @dan_banga

*Apoio:* Rede de Teatro do Velho Chico, Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer de Ibotirama/Prefeitura Municipal e a Prefeitura de Muquem através da Coordenação de Cultura.

Este projeto foi contemplado nos Editais da Paulo Gustavo Bahia e tem Apoio Financeiro do Governo do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura via Lei Paulo Gustavo, direcionada pelo Ministério da Cultura, Governo Federal. Paulo Gustavo Bahia (PGBA).

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

10ª edição da Mostra de Teatro do Velho Chico - : Pelos Caminhos da Resistência e Identidade Ribeirinha

 

A Mostra de Teatro do Velho Chico 2024 – 2027, é um projeto com apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia, através do Edital nº 03/2023 – Eventos Calendarizados. Esse programa que fomos contemplados vai dar possibilidade da manutenção da Mostras de Teatro do Velho Chico por quatro anos, permanecendo viva, pulsante e provocando reverberações grandiosa na fruição, difusão, formação e economia do teatro no Oeste e Sudoeste Baiano. É uma conquista para os grupos de teatro que fazem parte da Rede de Teatro do Velho Chico e também para outras Redes de Teatro como a Caravana Itinerante da Chapada, Palhasseata de Ilhéus e outros movimentos de teatro do interior que estão envolvidos diretamente no projeto.

Anunciamos calorosamente a 10ª edição da Mostra de Teatro do Velho Chico - : Pelos Caminhos da Resistência e Identidade Ribeirinha, que acontecerá no período de 04 a 24 de novembro! Este ano, com o tema "Pelos Caminhos da Resistência e Identidade Ribeirinha" promete trazer as vozes e histórias que compõem a cultura ribeirinha do nosso amado Rio São Francisco. Ibotirama é um seleiro de artistas de diversas linguagens artísticas e um município que pulsa e pensa leis para garantir o fomento à cultura do seu povo. Levar a 10ª edição da Mostra novamente para onde ela nasceu e que com o tempo e articulação se irradiou em rede, por diversos territórios de identidade.

Durante 10 dias de programação teatral, Ibotirama se tornará o centro das artes cênicas, com atividades que acontecerão em três espaços especiais: o Teatro Aliomar Pereira, o Auditório do Cetep Velho Chico e o Ponto de Cultura Núcleo de Audiovisual Reginaldo Pereira.

Serão 20 espetáculos, dentro de três recortes curatoriais “O Riso e a Criança”, “Protagonismo Feminino” e “Corpo Em Cena”, incluindo duas produções de outros estados, ampliando a diversidade cultural da nossa mostra, dando a ela um caráter nacional.

A programação contará também com uma grade de atividades formativas entre 04 e 08 de novembro, que incluirá 05 oficinas direcionadas a estudantes da rede pública municipal e estadual, que abordarão temas do universo teatral com integrantes da rede, além de oficinas continuadas para atores e atrizes de teatro. Realizaremos também 05 palestras focadas na preservação do Rio São Francisco, promovendo um diálogo essencial sobre a importância desse patrimônio natural e cultural do nosso Estado.

O projeto ainda conta com um programa de mediação de público, que visa aproximar os espectadores das experiências teatrais, enriquecendo ainda mais essa troca cultural.

Venha celebrar conosco a resistência e a identidade ribeirinha através do teatro! Prepare-se para momentos inesquecíveis, repletos de arte, reflexão e descobertas. Junte-se a nós nesta jornada pelos caminhos do Velho Chico!

Anote na agenda: De 04 a 24 de novembro, Ibotirama é o seu destino para viver o melhor do teatro do interior e feito por uma rede de cultura e afetos!

REALIZAÇÃO: Rede de Teatro do Velho Chico e Mistura Produções.

APOIO CULTURAL Secretaria Municipal de Cultura Esporte e Lazer e Prefeitura Municipal de Ibotirama.

APOIO FINANCEIRO: Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia, através do Edital nº 03/2023 – Eventos Calendarizados.